Carnaval são-joanense: grandes lembranças

IMAGEM ILUSTRATIVA EXTRAÍDA DO SITE DA BIBLIOTECA NACIONAL (EDIÇÃO Nº02231 DO JORNAL “VOZ DE S.JOÃO)


No carnaval de 1981 o jornal “Voz de S.João” em sua edição nº 02231, por meio da coluna “Sociedade em destaque”, da saudosa jornalista e poetisa Déa Verardo Loures, publicava o seguinte:
“E nossa garbosa engalanou-se pomposamente para receber “Momo”, o rei da alegria.
Como acontece todos os anos , a cidade estava cheia, não só de são-joanenses ausentes, como também de grande número de turistas prestigiando o nosso carnaval.
São João honrou mais uma vez a sua tradição apresentando um belo
carnaval, há muito considerado o melhor do interior de Minas.
A decoração de nossos clubes e da nossa urbe, muito elogiada e comentada por todos, principalmente os visitantes, que entusiasmados diziam: nem grandes metrópoles aprimoraram-se tanto! Decorações luxuosas, rafinê mesmo! Demonstração de arte, bom gosto e criatividade dos grandes artistas são-joanenses Flávio Ferraz Lima e Keco Pinto, que novamente reafirmaram o valor que possuem.
A batalha de confete na quinta-feira abriu o carnaval de rua e na sexta-feira o Botafogo fez realizar o já tradicional Baile da Saudade, numa animada vesperal carnavalesca.
Apesar da animação nos clubes Trombeteiros, Democráticos e Operário, que garantiram seus bailes e matinês infantis, notamos uma tendência do folião são-joanense pelo carnaval de rua. Será a falta de dinheiro ou a volta dos carnavais antigos, onde os blocos, as críticas, os corsos, as passeatas, hoje substituídas pelas escolas de samba, enchiam as ruas da cidade? Carnaval genuíno, que arrebatava os foliões até quarta-feira de cinzas.
O sábado e a segunda-feira ficaram por conta dos blocos. Muito apreciado o Bloco do Barril, que imbuído do verdadeiro espírito carnavalesco, mantinha à frente sua charmosa rainha!
O Bloco da Garoa, de São Paulo, Belô Popó e Nepopó Praia Clube,com suas músicas apropriadas repetiram com mesmo brilho o desfile da Sarmento.
O bloco do Zé Vicente, que este ano fez um pequeno desfile, prometeu para a próxima muitas novidades.
Os grupos de sujos, com suas máscaras jocosas, fizeram a alegria da criançada, animando o carnaval de rua.
Também o Bloco da Girafa fez-se presente, apresentando na terça-feira três carros alegóricos, além da girafa, elefante e outros bichos, não faltando a bateria, tudo com cerca de 500 figurantes.
Domingo e terça-feira São João viveu o desfile das grandes escolas.
Roça Grande, Caxangá, Esplendor do Morro e Avenida Carlos Alves ocuparam a passarela da Cel.José Dutra das 08:00 às 02:00 da madrugada.
Passeios, marquises, janelas, terraços inteiramente tomados pela assistência, que aplaudia suas escolas pela beleza, luxo e originalidade, de acordo com o enredo escolhido.
Verdadeira apoteose! Ponto alto do carnaval são-joanense.
Parabenizamos a todos que trabalharam para oferecerem ao público uma festa tão vibrante como o carnaval da “garbosa”, organizando com com entusiasmo e carinho, coexistente com nossa gente e que tanto engrandece São João Nepomuceno”. 

Outros detalhes do carnaval de 1981

– Naquele ano aconteceu o baile popular “Vai quem quer”, no antigo prédio da estação ferroviária;
A rainha do Bloco do Barril foi Emílio Sachetto Vitói, que recebeu a faixa das mãos da rainha de 1980, Flávio Ferraz Lima;
Não participaram do carnaval de 1981 os blocos “Quatro Gerações” e “Zé Pereira” .
– Naquele ano foi realizado o último desfile tendo como passarela a Cel.José Dutra, conhecida tradicionalmente como “Rua do Sarmento”;
Os sambas de enredo apresentados pelas Escolas de Samba foram:
   – Grêmio Recreativo Escola de Samba Roça Grande : enredo “Ontem e Hoje”, compositora e intérprete Nely Gonçalves ;
    –  Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos do Caxangá: enredo: “Sexta-feira 13”, compositores Leacir Reis (Léo Batucada), José Luiz (do tamborim) e Parodi Dessupoio;
  – Escola de Samba Avenida Carlos Alves: enredo “Amor,Amor,Amor”, de Ricardo Medina, interpretado por “Bolinha” ;
      –   Grêmio Recreativo Escola de Samba Esplendor do Morro: enredo “Manoa, o sonho dourado”, de Luiz Quirino de Freitas e Assaf Assafin.

             Por Nilson Magno Baptista

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