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Do Descarte ao Brinde: Como o Soro de Leite está Criando uma Nova Economia na Zona da Mata

Quem caminha pelos pátios dos grandes laticínios de Juiz de Fora e Leopoldina sabe que o soro de leite sempre foi o “patinho feio” da produção. Durante décadas, esse subproduto da fabricação de queijos foi tratado como um resíduo de difícil descarte ou, no máximo, destinado à alimentação animal. Mas o jogo mudou. Nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026, a notícia que ecoa nos laboratórios do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (EPAMIG/ILCT) é um divisor de águas: o avanço definitivo do “Refrigerante de Soro de Leite”.

A Ciência por Trás da Bolha

Não se trata de uma simples mistura. O que os pesquisadores mineiros alcançaram foi a estabilização de uma bebida gaseificada que mantém as proteínas de alto valor biológico do soro (como a whey protein), mas com o frescor e a palatabilidade de um refrigerante convencional.

O avanço anunciado hoje foca na clarificação do soro, eliminando aquele aspecto leitoso e transformando-o em uma base cristalina que aceita sabores tropicais, como limão, frutas vermelhas e o tradicional guaraná. “Conseguimos um produto que atende ao público que busca saudabilidade, mas não abre mão do prazer de uma bebida refrescante”, destaca a equipe técnica do Instituto.

Impacto Econômico: Dinheiro que Ia para o Ralo

Para o jornalista que acompanha os balanços das cooperativas, o impacto é matemático. Estima-se que para cada quilo de queijo produzido, restem cerca de nove litros de soro. Na Zona da Mata, milhares de litros são gerados diariamente.

  • Redução de Custos Ambientais: O soro tem uma carga orgânica altíssima. Transformá-lo em bebida elimina os custos pesados de tratamento de efluentes nas fábricas.

  • Nova Linha de Receita: O laticínio deixa de ser apenas “vendedor de queijo” para se tornar um player no bilionário mercado de bebidas não alcoólicas.

A Zona da Mata como Polo Exportador de Tecnologia

O diferencial deste anúncio de 18 de fevereiro é que a tecnologia já está pronta para a transferência industrial. Laticínios da região de Rio Novo, Guarani e São João Nepomuceno já estão em fila para adotar o protocolo de fabricação.

A ideia é que, até o final de 2026, o “refrigerante mineiro” não esteja apenas nas prateleiras locais, mas seja exportado para grandes centros como Rio de Janeiro e São Paulo, levando o selo de inovação da nossa Zona da Mata.

O Veredito do Especialista

O  agronegócioentrega uma solução tão elegante para um problema histórico. O “refrigerante de soro” resolve a gestão de resíduos, agrega valor à matéria-prima do produtor de leite e coloca Juiz de Fora novamente no mapa mundial da tecnologia de alimentos.

O consumidor de 2026 é exigente. Ele quer proteína, ele quer sustentabilidade e ele quer sabor. Minas Gerais acaba de entregar.

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