Deficientes utilizam tribuna da Câmara e fazem apelo

CONSELHEIRO JOSÉ ROBERTO LUÉRCIO RETONDAR QUANDO FALAVA NA “TRIBUNA LIVRE” DA CÂMARA MUNICIPAL DE SÃO JOÃO NEPOMUCENO (FOTO: JOSÉ AUGUSTO RETONDAR)


Na última terça-feira (06.02) por intermédio de seu Conselheiro José Roberto Luércio Retondar a Associação de Apoio à Pessoa com Deficiência de São João Nepomuceno – AAPCDEF esteve representada na Câmara Municipal. Ao ocupar a Tribuna Livre por vinte minutos ele transmitiu a seguinte mensagem aos vereadores, após as formalidades de praxe:
“A gente tem observado que o tratamento dado aos cadeirantes de São João Nepomuceno, e de uma maneira muito especial junto ao serviço público aqui no município, não tem sido adequado, pois os mesmos têm encontrado muitas dificuldades no seu atendimento. Isso tem acontecido na Policlínica e em quase todos os setores da saúde. Pode-se observar que os cadeirantes para serem atendidos têm sido submetidos a sacrifícios. A luta vem acontecendo há muitos anos. Então, hoje, de uma maneira muito especial eu venho aqui solicitar que a Câmara de Vereadores possa nos dar um apoio. Eu, como membro do Conselho Municipal de Saúde, na segunda reunião deste ano, fiz uma solicitação junto ao Conselho de que se realizasse adaptações lá na Policlínica para que o cadeirante não fosse tão constrangido quando precisa ser atendido. Vou relatar rápido aqui fatos que vem acontecendo há 18 anos na Policlínica, e com o passar do tempo continua a mesma coisa. No ano passado, 2017, tivemos atendimento a cadeirantes naquela repartição e, infelizmente, esse atendimento aconteceu no corredor. Eu acho que isso é uma falta de respeito muito grande. A gente precisa que eles tenham condições de serem atendidos. É que se comete muita falha com o deficiente em São João Nepomuceno. O deficiente precisa de ajuda para chegar aos setores onde ele precisa estar. Então vou relatar o que aconteceu lá para que os senhores tenham noção de que realmente a gente precisa melhorar isso. Mas sempre há desculpas para não se fazer o que é preciso. As falhas são as seguintes: o cadeirante chega à policlínica e já fica esperando para ser atendido. A primeira falha está aí. Porque desde 2015 já existe uma lei que dá amparo total ao deficiente para ter prioridade no atendimento. Depois ele é encaminhado para um corredor onde não há uma ventilação adequada, e quando ele chega na porta do consultório, sua cadeira não entra. E tem mais! Quando ele pensa que o sofrimento acabou, não! Ele passa por humilhação porque um funcionário pede a todos no corredor para sair e ele é atendido ali mesmo. Ai eu pergunto: que atendimento heim?! Que atendimento se dá a um cidadão são-joanense! Porque ele foi atendido na sua cadeira. Agora eu pergunto: e se ele precisasse se deitar em uma maca. Foi num local totalmente impróprio. Então eu vi que isso não pode continuar acontecendo. Junto ao Conselho Municipal eu fiz o pedido. Passou-se 30 dias e o argumento que me deram como resposta foi nenhum. Por isso estou aqui na Câmara, para pedir que lá na Policlínica possa ser feito um trabalho pelo menos em uma sala, de alargamento (troca) da porta para que um cadeirante seja atendido com dignidade. No Conselho, quando eu apresentei sugestão de que fosse feita uma reforma na Policlínica o primeiro ato que veio foi a afirmação de que o prédio não pode ser mexido porque pertence ao Estado. Como não pode mexer na arquitetura do prédio se lá já não existem vários detalhes originais! Pode sim. É apenas uma questão de boa vontade. Então eu peço, em nome da Associação, que possam nos ajudar nisso.  Outro detalhe é que, se fizer uma sala especial, ela não será somente para o cadeirante, o deficiente. De repente vai chegar uma pessoa idosa, alguém que precise ser atendido de uma maneira diferente, porque não é só o cadeirante que vai usar uma cadeira de rodas. Será que é tão difícil para eles entenderem isso!”.
José Roberto abordou ainda vários casos relacionados à questão da acessibilidade, tanto em edificações públicas como particulares. Os vereadores presentes, Írio Henriques Furtado Filho (Presidente), Ruy Rodrigues Barbosa (Secretário), Reniraldo da Silva de Oliveira , José Maria de Almeida, Francisco Baptista de Oliveira, Edson Souza Silva, Heldemir Azevedo Alves e Antonio José da Costa se colocaram à disposição da AAPCDEF, firmando a promessa de apoio ao trabalho que vem sendo realizado. O vereador Nei Medina não estava presente por motivo de licença médica.

 Obs: José Roberto Luércio Retondar (deficiente visual) é membro do Conselho Fiscal da Associação de Apoio à Pessoa com Deficiência – AAPCDEF. Atua também como membro do Conselho Municipal de Saúde, representando a Associação de Apoio à Pessoa com Deficiência com muita dedicação e competência.

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