Fogo no Mangueira em 1969 quase destruiu a sede do clube

 

Em 14 de dezembro de 1969, portanto há 50 anos, o nosso jornal tradicional “Voz de S.João” noticiava:

“ Incêndio no Mangueira : A madrugada de domingo último foi deveras sombria para o são-joanense, notadamente para a família baeta, que viu parte da sede de seu clube tomada pelas chamas.

O início do sinistro foi percebido por pessoas que ainda permaneciam na sala de jogo, na parte baixa da sede, quando notando gritos de Wanderley, faxineiro do clube, que dormia no quarto sinistrado contíguo ao Rubro Bar, acorreram imediatamente ao local. Achando-se a porta de ferro fechada, puderam quebras os vidros da porta por onde conseguiu passar Wanderley, com alguns ferimentos. Já nesta altura puderam vislumbrar o perigo – o fogo se alastra tempestuoso por todo o cômodo onde se achava material de fácil combustão, bebidas e insttumentos musicais, ameaçando abalar a própria lage. Imediatamente, por medida de segurança, o fato foi comunicado ao Corpo de Bombeiros de Juiz de Fora, a fim de que ficasse de sobreaviso.

Lá pelas três horas da manhã, socorros foram pedidos aos que moravam nas proximidades da sede e o apelo não foi em vão. Mais de uma centena de pessoas lá se achavam, dispostas a tudo para a luta contra o fogo. Formou-se uma enorme fila de pessoas que uma a uma faziam passar baldes e mais baldes de água, retirada da piscina, o que colaborou de modo positivo para o extermínio do fogo.

Os que iam chegando para ajudar, do lado de fora, vislumbraram pouca possibilidade do extermínio do fogo, dada sua fúria, e temiam mesmo sua propagação para o antigo prédio ao lado, onde se acha instalada a Marcenaria São Geraldo, de propriedade do Sr. Luciano Lima Fonseca.

Realmente, era de amedrontar o quadro que se apresentava a todos, com línguas e mais línguas de fogo a sair pelos basculantes, na parte posterior do prédio, quer para o lado da galeria.

E valha-se ressaltar, nesse mundo de gente não faltou o necessário espírito de colaboração. Botafoguenses, mangueirenses, operários, todos se irmanaram para o mesmo objetivo – por fim ao sinistro, quer transportando água, quer coletando extintores pela cidade.

E já se fazia amanhecer quando sinais de trégua por parte do fogo invasor passou a ser notado. Aquela fumaça de fogo de antes passou a ser apenas fumaça, vestígio de que a luta chegara ao fim. Felizmente, não houve vítimas. Restaram algumas dezenas de engradados queimados, os instrumentos de muito valor transformados em carvão e avarias de alta monta na sede do clube, principalmente na galeria.

A causa do incêndio não ficou esclarecida, ficando na hipótese do curto circuito e do cigarro.

A polícia foi chamada ao local no instante do ocorrido só tendo comparecido às 6 horas da manhã.

Prejuízo material foi superior a NCr$ 10.000, que certamente será em pouco tempo ressarcido pelo clube graças à boa vontade de seus associados”.

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