Paulo Azevedo, um cidadão são-joanense de valor

Por Nilson Magno Baptista

Paulo Roberto Azevedo nasceu em São João Nepomuceno no ano de 1956 (20 de outubro), filho de Paulo Luiz de Azevedo (já falecido) e de Dona Zilda Vareto de Azevedo – ainda entre nós aos 86 anos de idade. Fez aqui o curso primário, no Grupo Escolar Dona Judite de Mendonça.

Paulo quando bebê, entre a mãe e o pai

Devido às grandes dificuldades econômicas da época, Paulo precisou deixar a escola para trabalhar e ajudar os pais, sendo o mais velho dos cinco filhos do casal. Foi engraxate e, aos 14 anos, foi aceito como ajudante na MEGRAF (oficina gráfica), de propriedade de Nilton Roberto Mendes. O emprego seguinte foi na Companhia Fiação e Tecidos Sarmento, ingressando na empresa no “Dia do Trabalho”, 01 de maio de 1971, ainda na idade de 14 anos, sendo supervisionado pelo próprio pai, também funcionário da indústria. Mas não tinha “moleza”: levantava todo dia ao apito da fábrica, às quatro e meia da manhã.

Ficou lá até o dia 14 de setembro de 1972, na função de serviços gerais. Nessa época chegou a ingressar no Curso Ginasial, mas como o Colégio era particular acabou, por questões ainda financeiras, deixando novamente os estudos para trabalhar, desta vez na Fábrica de Calçados Dragão. Esse era um tempo de sonhos, e um deles era se tornar jogador de futebol, ser um “craque” como muitos outros são-joanenses e brasileiros queriam. Paulo chegou a jogar nos clubes locais: Mangueira F.C , Botafogo F.C e Operário F.C, mas não deu certo, pois não tinha todas as habilidades necessárias.

Paulo e os companheiros do time do Operário Futebol Clube em São João Nepomuceno

Em janeiro de 1976, após servir ao Tiro de Guerra, ainda sem concluir os estudos, mudou-se para São Paulo e ingressou na empresa inglesa FOSECO DO BRASIL na função de auxiliar de serviços gerais, “chão de fábrica”, como se diz, em 13 de fevereiro de 1976, permanecendo até 03 de julho de 1981, já no cargo de Analista de Laboratório. Paulo diz que na época que foi para a capital paulista, São Paulo era tipo “sonho americano”, principalmente para quem não tinha recursos financeiros da família para bancar os estudos. Muitos são-joanenses, foram, ficaram e venceram na capital paulista. Muita gente mesmo. Durante nossa vida sempre encontramos um “alquimista” que nos ajuda a transformar nossos rumos em caminhos viáveis, um deles foi o pai de Paulo, sendo que houve outros, como seu tio Edil Correa, o Dr.Carvalho, que era chefe do departamento onde Paulo trabalhava lavando vidros. Naquele tempo era hábito pedir aumento para o chefe. Paulo nos relata que um dia foi pedir aumento a ele, que disse “ Se quer um aumento, tem que estudar! Essa é a única forma de conseguir, pois vai poder crescer profissionalmente. Faça isso e volte para conversar comigo”. Na semana seguinte nosso amigo estava matriculado no curso Ginasial do antigo supletivo e ao mostrar o comprovante de matrícula para o seu superior veio a ser promovido a ajudante de laboratório. Após concluir o supletivo, Azevedo ingressou no curso de Química Industrial do Colégio“Mário de Andrade”, de São Paulo. Quando faltava menos de um ano para a formatura saiu sua promoção a Analista de Laboratório. Em 1980 ficou desempregado novamente, por conta de uma crise no setor de Aciarias e Fundições.

E lá se foi o Paulo Azevedo em busca de um novo emprego. Aí surge o apoio do Dr.Olair Zenir Leite, são-joanense, diretor do Banco Nacional, facilitando seu ingresso naquela instituição financeira, onde começou na função de Caixa. Teve também a oportunidade de participar em vários cursos de formação gerencial e negócios, chegando posteriormente a ocupar o cargo de Gerente da Agência Moema, São Paulo.

Em 1987 Paulo Azevedo deixa o Banco Nacional para ingressar na VARIG (Viação Aérea Rio Grandense), na época “uma gigante dos ares”, onde permaneceu até 2006, ou seja, depois de 19 anos de serviços prestados.

Foram 19 anos na VARIG, uma das 10 maiores e mais bem-conceituadas empresas aéreas do mundo. Ganhou inúmeras vezes prêmios como: Título de melhor companhia aérea para voar, melhor em serviços de bordo, segurança, pontualidade e regularidade, uma majestosa companhia da navegação aérea. Uma preciosidade que só sabe quem a conheceu.  Seu ingresso na Varig foi como “Inspetor de Agencias”, no entanto, além de fazer as inspeções rotineiras nas filiais instaladas pelo Brasil e por gostar da relação comercial e contatos diretamente com os clientes passou a fazer substituições aos gerentes Gerais quando de suas férias e/ou seus impedimentos, tendo, com isso, a oportunidade de conhecer nosso Brasil na sua quase totalidade entre todos os estados e muitas cidades brasileiras e até do exterior. Foi aí que, geograficamente, passou a entender a frase: “ de norte a sul e de leste a oeste”. Podemos dizer que, aproximadamente, ele viajou do Oiapoque, que é um município brasileiro do estado do Amapá, ao Chuí que é um outro município brasileiro, no estado do Rio Grande do Sul, localizado no extremo sul do Brasil. É a cidade mais meridional do país e faz divisa com a cidade do Chuy, no Uruguai. Indiscutivelmente, isso contribuiu para sua formação, possibilitando-lhe a assimilação de várias culturas. Em 1.992, após a chegada da sua filha Arícia, que nasceu em São João Nepomuceno, no Hospital São João, Paulo e Áquila, sua esposa se mudaram para a cidade de Montes Claros, pois, havia recebido sua promoção a Gerente Geral para aquela cidade, onde moraram por aproximados 3 anos e meio, sendo que lá teve o privilégio de fazer bons negócios e colecionar grandes amizades que não lhe saem das lembranças.

Após esse período Paulo Azevedo retornou à capital paulista por um tempo. Em 1995, assumiu a Gerencia de Vendas da Varig no estado do Pará, com sede em Belém do Pará, uma região totalmente diferente de tudo que já havia visto. Paulo diz “foi muito especial, pois a receptividade do paraense é de fazer a gente querer voltar, revisitar o mercado Ver-o-Peso, Salinas com sua praia que parece ser feita especialmente para os paraenses, os restaurantes japoneses com pratos requintados, o tacacá, o açaí, a castanha do Pará, a Ilha de Marajó, as cerâmicas marajoaras, o Carimbó contagiante, que é patrimônio cultural brasileiro e também um gênero de dança de roda de origem indígena, típica da região, entre tantas outras possibilidades que havia na região”. Já nos anos de 1997, Paulo Azevedo assumiu a Gerencia Geral da Varig em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul  (MS), uma cidade totalmente surpreendente, fundada por mineiros e  planejada em uma rica área verde, com ruas e avenidas bem  largas , diversos jardins por entre as suas vias. É também uma das cidades mais arborizadas do Brasil. Além da capital nosso amigo teve oportunidade de conhecer o pantanal Sul-mato-grossense, com sua exuberante fauna e flora, sem falar da cidade de Bonito, com os rios mais transparentes que já tinha visto. Nadava-se com os peixes. Lá é proibida a pesca, só a conservação é importante. Está aí um lugar que vale a pena visitar. Na época, ir ao Paraguai era uma das opções de compras de eletrônicos, hoje, no entanto, compra-se sem sair de casa.

Os anos vão passando, e já em 2001, Paulo Azevedo e Ávila Rosana de Castro Carmo Azevedo , estavam de partida para a cidade de Manaus no Amazonas. Só esperaram o nascimento do  filho Álvaro, que tem naturalidade sul-mato-grossense na cidade de Campo Grande, MS, e, em seguida, foram morar em Manaus. Falar do Amazonas é fácil, pois, tudo que lá existe tende a fascinar nossos olhos. Só para ter uma ideia Paulo fala sobre os blocos Caprichoso e Garantido, dois grandes blocos de Boi Bumbá : “Tudo se inicia em Manaus, mas, tem seu ápice em Parintins, a cidade tipo nave mãe que abriga a grande festa das festas. Lá se pinta a casa de vermelho ou de azul e pronto. Não me perguntem o porquê, pois, só sei que é assim. Lá é um grande point, conheci muitas pessoas simpáticas e fiz boas amizades, entre tantas, vou citar uma conhecida de muita gente: “Hans Donner”, com quem, momentos antecedentes aos desfiles dos bois Garantido e Caprichoso andei junto pelos hangares de construção dos gigantescos carros alegóricos de Parintins. Tive contato com outras pessoas espetaculares como Rita Bernardino do Ariaú Tower Hotel, os nossos amigos agentes de viagens de lá e de todo o Brasil, inclusive que até hoje sinto falta de todos. Um povo hospitaleiro trabalhador e porque não, festeiro. Detalhe: A Varig Chegava a fazer nessa época da festa de Parintins 35 voos em aproximadamente em apenas 6 dias, era um bate e volta corriqueiro das aeronaves Boeing 737 200 e 300 com suas capacidades de lugares sempre lotadas…”

“Sem falar na grande lista de espera no balcão, bons tempos da aviação. Em Parintins uma parte da cidade torce pelo Garantido, a Outra para o Caprichoso, e assim acaba acontecendo com quem para a festa vai! Voltando a Manaus, temos o curioso e famoso “encontro das aguas” entre os Rios Negro e Solimões que com suas densidades, temperatura e velocidades diferentes criam um extraordinário espetáculo natural.  Cito o Hotel Tropical de Manaus que na época oferecia um requinte majestoso, um espaço ideal para um descanso, lazer, curtição, compras etc… Grandes personagens lá hospedaram.  Hoje, segundo uma reportagem divulgada recentemente, esse hotel que foi palco de estrelas nacionais e internacionais estava jogado às traças. Paulo lembra ainda do Mercado Central, da orla do rio chamada de Ponta Negra, dos hotéis flutuantes que faziam grande sucesso, do Hotel Ariaú que hoje não existe mais e tantas outras belezas naturais da floresta, oferecendo uma vida com larga intimidade com a natureza”.

É Paulo quem nos diz: “em 2001, quando cheguei a Manaus, encorajado por uma amiga da Varig, iniciei uma carreira como palestrante motivacional e Consultor de Negócios, fazia palestra em auditórios e empresas, fui um dos primeiros a introduzir mágicas, malabarismo e equilibrismo, sendo hoje esta prática utilizada por uma vasta gama de palestrantes. Para me diferenciar busquei inovar com o lúdico, entrei numa escola de circo aos 52 anos de idade e fui aprender técnicas de malabarismo e equilibrismo, mas, quando cheguei à etapa “monociclo” o professor não acreditou em mim. Deve ter pensado que aos 52 anos eu estava fora do jogo, ele não me falou em palavras, mas, senti no seu olhar, no seu jeito!” Como o professor não lhe deu uma data para início das aulas, em uma semana, ele tomou a iniciativa e comprou um monociclo pela internet, iniciando, então, seus treinos diários, sem instrutor é claro. Marcava no cronometro quantas tentativas fazia seguidamente e o tempo gasto. O resultado foram 10 mil tentativas para conseguir as primeiras duas pedaladas seguidas, mas, ao final conseguiu!

Formação acadêmica e outras atividades

Concomitantemente, durante essas passagens, Paulo Azevedo se formou em Administração de Empresas pela UNIP – Universidade Paulista, e fez seu MBA em Gestão Estratégica e Negócios.   Teve a oportunidade de fazer muitos cursos, entre eles os de gestão de pessoas e negócios, também concluindo o curso intensivo de Ator (Curso de formação de ator – PUC – MG), mas, com raras atuações. Foi mesmo – como ele próprio nos disse – para se aperfeiçoar nos palcos durante as palestras com mágicas e com os bonecos (Ventríloquia). Após sua saída da VARIG em 2006, foi convidado a trabalhar no BHC&VB (Belo Horizonte Convention & Visitors Bureau) e ocupava na época o cargo de superintendente do BHC&VB. Para explicar melhor o BHC&VB é uma Fundação em Belo Horizonte , que busca negócios de Turismo e Eventos da iniciativa privada, não tem fins lucrativos e foi criada em 03 de dezembro de 1997, no mês do Centenário da capital mineira. Como Fundação, tem um Conselho Curador que é integrado pelas 17 instituições e empresas fundadoras, entre elas a Associação Comercial de Minas, a CDL BH, o Senac MG, a ABAV MG, a ABIH MG, a Abrasel MG, a Belotur, hotéis e organizadoras de eventos. A função principal é buscar recursos e captação de eventos para BH. Outra atuação foi uma experiência com TV a cabo em BH na Produção e comercialização de um programa de entrevistas, o que mais tarde, o balizaria para seu trabalho atual. Passou também pelo IEPTB MG (Instituto de protesto de títulos de Minas gerais na função de superintendente Executivo), já apresentou  alguns programas de TV e hoje, está com sua mídia espontânea do Garbosa News – A informação além da notícia, assim como um canal no YouTube, facebook do Garbosa News, instagran @garbosaNews e o site Garbosa News. Na verdade, este são-joanense muito especial está se reinventando a cada dia! Por isso temos muito orgulho em tê-lo como conterrâneo e amigo.

Apoio de parentes foi fundamental

Paulo Azevedo nos faz um relato sobre  sua rotina de vida em São Paulo, : “ Fui morar com meu tio Edil Corrêa na Granja Viana, no km 25 da rodovia Raposo Tavares. Um lugar bem mais tranquilo que a capital paulista. Trabalhava no Km 15 da Raposo e estudava na Lapa (centro de São Paulo), no Colégio Mario de Andrade. Para estudar, trabalhar e morar, utilizava 6 ônibus por dia!

Um alquimista que também ajudou na minha transformação foi o tio José Adriano, irmão do meu pai, que já morava em São Paulo, na Vila Monumento ao lado do Rio Ipiranga, palco da Independência do Brasil no passado. Eu estava prestes a ir morar numa republica com uns amigos quando ele me disse:   “Nada disso, você vai morar comigo! ”. Como era uma ordem, eu fui e fiquei lá por uns bons anos. Tio Jose está vivo e com mais de 95 anos. Ele e tia Olga me acolheram com muito carinho e de quebra ganhei um irmão, que é meu primo Adriano.

No caso do tio Edil, com quem morei no início, vieram mais 4 irmãos: Gracinha, Sandra, Eloisio e Imaculada”

ABAIXO EXIBIMOS UM VÍDEO SOBRE O ENCERRAMENTO DAS OPERAÇÕES DA VARIG EM MONTES CLAROS, COM UMA DECLARAÇÃO DE PAULO AZEVEDO, NA ÉPOCA, GERENTE DA COMPANHIA AÉREA NAQUELA CIDADE DO NORTE DE MINAS.

 

 

 

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