São-joanense que sobreviveu à 2ª Guerra Mundial completa 98 anos

Por Nilson Magno Baptista

Nosso homenageado nasceu no distrito de Araci, município de São João Nepomuceno, em 26 de setembro de 1922, portanto completa hoje 98 anos de vida. Filho de dona Theodora Nicodemos, professora de escola primária, e José Pereira da Silva, lavrador. Lá ele passou os primeiros anos da sua vida.

Sua mãe , descendente de italianos, imigrantes da Calábria, era uma mulher enérgica, firme nas suas convicções, porém muito afetiva. Bem diferente do seu pai, diz ele, porque ele sim era durão. “Se você desse bobeira com ele, poderia se preparar para levar umas cacetadas. Ele pegava o que tinha à mão e castigava mesmo. Eu justifico isso pela formação dele, roceiro, trabalhador braçal”.

Sua mãe, mais tarde, foi transferida para o distrito de Taruaçu, por um curto período. Depois ela foi transferida para a sede do município, para lecionar no grupo escolar Coronel José Braz. Nesta época ele já estava matriculado no ensino primário.

 

Nos primeiros anos da sua adolescência, costumava se divertir com os seus amigos, nadando nos ribeirões, pescando ou jogando futebol. Viveu passagens muito importantes, também, no sítio que pertencia à sua avó, mãe do seu pai, no distrito de Araci.

Um de seus primeiros trabalhos na zona rural foi de candeeiro de bois. Depois passou a trabalhar lavando vidros em uma farmácia em São João Nepomuceno. Outro ofício que aprendeu foi o de alfaiate. Alistou-se no Exército em Juiz de Fora pois buscava conseguir o documento que, na época, todo jovem precisava possuir: o Certificado de Reservista. Só mais tarde Getúlio Vargas criaria o Ministério do trabalho e a Carteira Profissional. Acabou fazendo o curso de cabo, transferido para a 5ª Companhia de Fuzileiros, passando depois pelo12º Regimento  e mais tarde, finalmente pelo 11º Regimento de Infantaria de São João Del Rei.

São João Nepomuceno: última visita antes da guerra

José Maria Silva Nicodemos visitando o distrito de Araci, em São João Nepomuceno, sua terra natal

“Eu não sei o que eu tive de diferente ao reagir à minha ida à guerra. Só sei que eu estava no Rio de Janeiro, integrado à Força Expedicionária Brasileira, e num final de semana eu dei uma ida em São João. Fui pela estrada de ferro Leopoldina, que existia naquela época. Lá chegando, minha esposa sabia que eu ia chegar, estava lá na estação. Nós fomos para casa e eu passei aquele final de semana, sexta sábado e parte do domingo, todos juntos, conversando e procurando uma forma de falar sobre o que ia acontecer.

Eu ia para a guerra. Nós sabíamos disso porque o primeiro escalão já tinha sido transportado para a Itália, o 6o Regimento de Infantaria, com sede na cidade de Caçapava-SP, e logo chegaria a nossa vez.

É muito interessante, porque eu tenho até hoje uma foto de nós dois, tirada nesse final de semana, na Praça Coronel José Braz, em que nós dois estamos na calçada. Naquela época, a estrada de ferro passava bem perto da calçada, onde nós tiramos a foto.”

 

 

Embarque e viagem para a Itália

Junto com seus companheiros da Força Expedicionária Brasileira,José Maria Silva Nicodemos embarcou no dia 22 de setembro de 1944 e seguiram viagem para a Itália. Foram 14 dias completos de muitas recordações, dentro do navio americano USS General Meigs. O navio americano USS General Meigs zarpou conduzindo a bordo cinco mil soldados brasileiros e quase mil tripulantes, o que dá ideia do tamanho do navio.

Navio americano U.S.S General Meigs (imagem da internet)
Chegada dos expedicionários brasileiros à Itália

 

Comentário do sr. José Maria sobre sua ida e permanência no campo de batalha

Cabo José Maria Silva Nicodemos e Sargento Jofre Louzada se encontravam em uma estrada perto de Pontescodogna quando um caminhão com a Brigate Garibaldi parou e os soldados pediram para tirar uma foto

“Naquele momento, que foi crucial para todos nós, que tínhamos mais de dezoito anos quando foram convocados os pracinhas, foi uma coisa violenta saber que ia para a guerra. Mas a gente sempre adiantava a ideia, a verdade é essa. Sempre pensava: “Ah… deixa pra lá! Comigo não vai acontecer nada. Eu sei me defender”. Esse tipo de coisa. Quase todos os jovens daquele tempo pensavam assim.

Esse modo de conduzir os fatos permaneceu lá na Itália, em muitos momentos. Fosse ainda em acampamento, fosse em linha de frente, fosse em combate. De alguma forma nós, jovens, pensávamos que nada poderia nos acontecer. É claro que havia um certo medo, afinal uma granada que explodisse poderia não nos atingir no ato da explosão, mas disparava estilhaços que não poupariam quem estivesse por perto. Havia o inimigo, que também defendia a própria vida e não hesitaria em matar. Mas o medo de tudo isso era controlado pelo ímpeto da nossa juventude, que nos fazia ir em frente. Nós controlávamos um ao outro. Dizíamos: “Olha o que você vai arrumar!”. “Não me deixa sozinho não.” No campo de batalha José Maria Nicodemos atuou como Cabo Apontador de Morteiro 81mm.

NOTA DO EDITOR: OS DADOS, PARTES DE TEXTOS E AS FOTOS PARA ESTA MATÉRIA FORAM EXTRAÍDOS DA PÁGINA DA ASSOCIAÇÃO DE VETERANOS DA F.E.B (FORÇA EEXPEDICIONÁRIA BRASILEIRA) SEÇÃO JUIZ DE FORA, NO FACEBOOK E DO SITE EDITADO POR HÉLIO ROCHA E HUMBERTO FERREIRA, COM O SEGUINTE ENDEREÇO: http://WWW.ZEMARIANICODEMOS.WORDPRESS.COM

AO EXPEDICIONÁRIO JOSÉ MARIA DA SILVA NICODEMOS O NOSSO FORTE E AFETUOSO ABRAÇO.PARABÉNS!

 

 

 

 

 

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